Desde os anos 2000, inúmeros especialistas responsáveis por nortear as tendências pedagógicas mundiais vêm falando sobre a importância de ensinar habilidades e competências para a educação do século XXI. Dentre elas, figuram as competências socioemocionais. Há quem defenda que projetos paralelos, que não são desenvolvidos durante todo o período escolar, ou que ocupam apenas um espaço de aulas como português, história e geografia, seriam suficientes para desenvolver essas essenciais habilidades. Por outro lado, há quem reconheça que essa abordagem deva ser constante e sistematizada, uma disciplina comum a mais na grade curricular. Então, afinal, por que desenvolver educação emocional e social como uma “matéria” independente?

Em primeiro lugar, porque há um abundante número de pesquisas, de vários países, que apontam que alunos que aprendem, desde cedo, a nomear emoções, reconhecê-las em si e nos outros, a se acalmarem e se motivarem, a resolver conflitos e problemas de maneira pacífica e, principalmente, desenvolverem habilidades para serem mais felizes e satisfeitos, tem um desempenho escolar superior.

Ora, parece óbvio que, quando as emoções são convidadas para dentro da sala de aula e se pode falar espontaneamente sobre elas, os alunos se tornem mais dispostos a aprender. Isso acontece porque fala-se, entre outras coisas, sobre o medo, a culpa e a vergonha, e a ansiedade, tão presentes no ambiente escolar, de modo que essas emoções ocupem menos espaço interno dos alunos. Isso é especialmente válido quando estes se sentem pressionados por avaliações importantes, como o Enem e outros vestibulares.

Em segundo, porque o desenvolvimento de competências emocionais funciona como uma estratégia de prevenção ampla em relação aos desafios da juventude. Todos sabemos que a adolescência e a juventude vêm permeada por importantes mudanças hormonais, de temperamento, e muita insegurança. Isso pode levar os jovens a se envolverem em todo tipo de comportamento de risco, na busca de autoafirmação: direção temerária, abuso de substâncias, sexo desprotegido, vandalismo etc. Além disso, quando se aprende a lidar melhor com as próprias emoções e as dos outros, desenvolve-se fatores de proteção contra fenômenos como a depressão, a automutilação e até mesmo o bullying.

Por fim, reservar um espaço regular para que se fale e se escute o outro, em que se aprenda e ensine sobre como as emoções influenciam nosso pensamento e comportamento e sobre toda a complexidade humana é uma forma segura de desenvolver o potencial humano de cada um. Em entrevista ao portal El País, o especialista em Neuroeducação, Francisco Mora, autor do livro “Neuroeducação. Só se pode aprender aquilo que se ama”, fala que acender uma emoção no aluno é a base mais importante sobre a qual se apoiam os processos de aprendizagem e memória. As emoções servem para armazenar e recordar de uma forma mais eficaz.¹

É preciso sentir para aprender. É preciso se emocionar para se tornar empático e compassivo. É preciso viver em profundidade com as emoções para nos tornarmos plenamente humanos. Só assim, alcançaremos o pleno potencial que a natureza parece ter nos reservado, dotando-nos com uma mente racional e emotiva. Razão e emoção não são inimigas, mas aliadas. Quando as emoções receberem a mesma atenção que as demais disciplinas na formação das futuras gerações, por meio da Educação Emocional e Social, nossos descendentes serão mais sábios e bondosos do que somos hoje.

¹ https://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/17/economia/1487331225_284546.html

Fonte: Equipe da Inteligência Relacional