Vamos iniciar o texto com a seguinte metáfora: toda construção precisa de uma base sólida que a sustente, certo?  Depois dela é que vêm as paredes e, sobre elas, o acabamento como pintura, azulejos etc. Tudo sustentado pelo alicerce. Pois bem, a educação também precisa de um alicerce e este alicerce são as emoções.

Tão esquecidas no passado pela família e pela escola, as emoções se apresentam hoje como maior desafio educacional deste século. São elas as responsáveis por todos os nossos comportamentos. Se não estamos bem emocionalmente, provavelmente não iremos nos relacionar bem com os outros, e isso também poderá afetar os processos de aprendizagem. Por isso, deve-se reconhecer a importância das emoções na vida de todas as pessoas e trabalhar o tema de forma estruturada e sistemática, de modo que a convivência possa ser melhorada.

O estado emocional do aluno e suas habilidades de lidar com as emoções devem vir antes de qualquer coisa, pois antecipam, preparam e potencializam a utilização de tantos outros recursos pedagógicos aplicados em sala de aula. O desenvolvimento do raciocínio lógico, matemático, linguístico e da própria memória está profundamente associado ao estado emocional , especialmente, dos alunos nas escolas.

Porém, apesar de muitos teóricos citarem o papel fundamental das emoções para o meio social e  para a aprendizagem, não havia, até então, iniciativas sistematizadas e fundamentadas cientificamente que promovessem o desenvolvimento  de competências emocionais. O próprio conceito de ser “emocionalmente competente” é, ainda, novo para muitos de nós. O Brasil está despertando para a compreensão da importância da Educação Emocional e Social nas escolas, principalmente como base da educação integral.

Escola: muita disciplina e pouco aprendizado para vida

O excesso de disciplinas e a forma desarticulada como o conteúdo é desenvolvido na escola geram um aprendizado pouco eficiente, desempenho abaixo do esperado e, consequentemente, evasão escolar. As pesquisas mostram que uma das causas mais frequentes da desistência de muitos alunos é o seu desinteresse pelo conteúdo apresentado. Nenhum recurso pedagógico externo substitui um aluno bem preparado e disposto emocionalmente para oferecer plena atenção: condição fundamental na melhoria dos índices de aprendizagem.

O autor Rafael Bisquerra denomina educação emocional como um processo educativo, contínuo e permanente, que pretende potencializar o desenvolvimento das competências emocionais como elemento essencial do desenvolvimento humano, com o objetivo de capacitar para a vida e com a finalidade de aumentar o bem-estar pessoal e social.

Além disso o enfrentamento da violência e a melhoria de índices de aprendizagem são apostas seguras para resultados a curto, médio e longo prazos. Trata-se de uma forma de evitar ou diminuir situações desconfortáveis de estresse, ansiedade, bullying, uso e abuso de álcool e drogas, depressão e violência.

Por que ensinar educação emocional na escola?

Acreditamos que a escola é um espaço privilegiado, um lugar onde todas as culturas se encontram e convivem. Um lugar repleto de opiniões e valores diferentes. É neste ambiente que as crianças passam a construir suas primeiras relações com o desconhecido, pois, até então, elas só tinha contato com seus familiares.

Em alguns contextos, as famílias, ainda que bem intencionadas, podem reproduzir , sem consciência disto, muitas violências, por serem isso o que aprenderam em sua história. Tais como “engole o choro, menino não chora!”, “se você apanhar na escola de novo, vou te bater quando chegar em casa!”, “que coisa feia ficar chorando, isso não é nada!”.

Muitas famílias aprenderam a acolher cuidadosamente, escutar e valorizar as falas de suas crianças sobre suas emoções, porém, muitos alunos não têm outro espaço para tratar desses assuntos senão a escola.

Além disso, a educação emocional beneficia não somente os alunos, mas também os professores, familiares e toda a comunidade escolar. Com alunos educados emocionalmente, ou seja, que desenvolvem competências emocionais, certamente haverá redução da violência, como o bullying, melhoria da aprendizagem e da forma de se relacionar com outro. Com a educação emocional, as crianças e os jovens  também aprendem a conhecerem suas emoções e as do outro, a se colocarem no lugar do outro, serem mais tolerantes e, consequentemente mais pacíficos.

Essa inovação pedagógica é um campo transdisciplinar por essência, que nasce da confluência de diversas áreas do conhecimento como Psicologia, Pedagogia, Neurociência, Filosofia, Sociologia, Antropologia, e tantas outras. E o que pouca gente sabe é que a educação emocional pode ser inserida na grade curricular das escolas como uma disciplina comum e transformar a vida de milhares de pessoas.

Fonte: Inteligência Relacional