O suicídio é a segunda causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Trata-se, portanto, de um grave problema de saúde pública que não escolhe vítimas: pode afetar pessoas de qualquer gênero, idade ou classe social, e em países de alto, médio e baixo desenvolvimento.

Entretanto, mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a um transtorno mental e, por isso, se tratados da forma adequada, podem ser prevenidos, de acordo com o presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina (Apal), Antônio Geraldo da Silva. Ele destaca, ainda, a importância de campanhas educativas para prevenção e conscientização sobre o tema, tais como o Setembro Amarelo¹. 

Além disso, segundo dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS)² , para cada caso de suicídio, há muito mais tentativas de se cometê-lo a cada ano; e estas tentativas prévias são o fator de risco mais importante para o suicídio na população em geral. Dessa forma, atuar na prevenção de novos casos é essencial. Para a OPAS/OMS há uma série de medidas que podem ser tomadas junto à população para preveni-los, incluindo:

•Redução de acesso aos meios utilizados (por exemplo, pesticidas, armas de fogo e certas medicações);

•Cobertura responsável pelos meios de comunicação;

•Introdução de políticas para reduzir o uso nocivo do álcool;

•Identificação precoce, tratamento e cuidados de pessoas com transtornos mentais ou por uso de substâncias, dores crônicas e estresse emocional agudo;

•Formação de trabalhadores não especializados para avaliação e gerenciamento de comportamentos suicidas;

•Acompanhamento de pessoas que tentaram suicídio e prestação de apoio comunitário.

Nesse contexto, para o psiquiatra Jorge Jaber - membro fundador e associado da International Society of Addiction Medicine -, o fundamental é dar atenção e escutar a pessoa que pensa em cometer suicídio. “O fato de alguém que tenta suicídio ser escutado por cerca de 20 minutos pode impedir que ele tenha o impulso de cometer o ato. Ouvir o suicida salva a vida dele³”.

Nessa direção, a oportunidade de crianças, jovens e adultos entrarem em contato com um processo consistente e contínuo de Educação Emocional e Social configura-se como fundamental na prevenção de casos de suicídio. Desta forma, pode-se propiciar a ampliação de espaços para o diálogo sobre suas próprias emoções e as dos outros, a escuta empática, o desenvolvimento de competências de regulação emocional e a identificação da necessidade de se procurar ajuda profissional em tempo oportuno para que eventuais transtornos psíquicos sejam diagnosticados e tratados da maneira adequada. Tudo isto colabora também na prevenção de situações associadas a ambientes virtuais que, na atualidade, podem representar conflitos relacionados a casos de cyberbullying, por exemplo, e aos jogos que intimidam e propõem “desafios” às crianças.

¹ https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,a-cada-45-minutos-uma-pessoa-comete-suicidio-no-brasil,70002496904

² https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5671:folha-informativa-suicidio&Itemid=839

³ https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,a-cada-45-minutos-uma-pessoa-comete-suicidio-no-brasil,70002496904

Fonte: Inteligência Relacional