Cento e dezesseis alunos do segundo ano do Ensino Fundamental do Colégio Santa Amália, em São Paulo, vão vivenciar de maneira sistematizada práticas de como reconhecer e lidar com as emoções.

A direção do colégio se interessou pela metodologia de Educação Emocional e Social ao ver os resultados alcançados na implantação que acontece, desde o ano passado, com mais de 500 crianças e jovens na ONG Liga Solidária.

Para a diretora do Colégio, Maria Elisa Sperling, a expectativa do início da prática da metodologia é muito alta e o processo de formação, pelo qual os professores passaram por dois dias, 10 e 11 de abril, semeou credibilidade para o desenvolvimento da Metodologia Liga Pela Paz.

“Já fazemos um trabalho na escola que chamamos de Valores e Culturas. São aulas em que trabalhamos questões de formação ética, humanística, com a preocupação de minimizar os conflitos, de trabalhar a tolerância. Quando conhecemos o material pedagógico da Liga Pela Paz encontramos a possibilidade de sistematizar aquilo que vínhamos ministrando nestas aulas. No contato com a Maria Tereza, consultora pedagógica que nos deu o curso de formação, nosso olhar foi de tal maneira ampliado que muitas possibilidades se abriram. Teremos o recurso do AVA, as próximas formações... e as professoras se animaram tanto que já costuram as possibilidades de multiplicar nas demais aulas as práticas da metodologia”, disse a diretora.

“Para mim a Formação Inicial foi um divisor de águas”, relatou a coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental I do Colégio Santa Amália, Cláudia Emília Fittipaldi. “Quando recebemos o material para avaliação não podia imaginar o que teríamos pela frente. O envolvimento maior começou ainda pelo processo de sensibilização que tivemos com o professor João Roberto de Araújo, idealizador da metodologia, e ficou selado durante a nossa formação. Comecei a ver tudo com mais profundidade e a mudança no olhar e na postura veio naturalmente”, contou a coordenadora.

“Novas possibilidades de lidar com as emoções foram se concretizando à nossa frente e nos perguntamos: Se estou triste devo ficar triste o tempo todo? Posso mudar essa postura? Quando fiz uma das dinâmicas, a da empatia, com uma colega, foi incrível. Concluímos que, apesar de tanto tempo próximas, nunca tínhamos nos olhado daquela maneira, com acolhimento, amizade. Percebi que tínhamos o discurso, mas que agora teremos a atitude”, concluiu Cláudia.

A professora da disciplina, Valores e Cultura, Érika Verzegnassi, ressaltou a importância da sistematização da Educação Emocional e Social no contexto que vem atuando. “Os valores humanos são o carro-chefe na minha disciplina e, para conseguirmos trabalhar efetivamente com eles, nada melhor do que termos um processo de aprendizado que passe pelo comportamental, mental, cognitivo e até biológico. Temos agora como conceituar melhor o que é ser solidário, mostrar à criança como é bom fazer o bem. Temos a possibilidade de um novo olhar para o desenvolvimento das emoções e a metodologia se encaixa perfeitamente na minha disciplina”, contou a professora, que já está à procura de formação continuada no Ambiente Virtual de Aprendizagem da Metodologia Liga Pela Paz, o AVA.

A vice-presidente voluntária da Liga Solidária, Rosalu Queiroz, esteve presente no primeiro dia da Formação Inicial no Colégio Santa Amália e pode presenciar o grau de comprometimento da direção e dos educadores da instituição. “Estou positivamente impactada ao receber o depoimento da nossa diretora, que relatou a sinergia entre as professoras e de que maneira elas estão se programando para usar as ferramentas da Liga Pela Paz. Elas puderam perceber que falar sobre o lado humano também fará parte da pauta das reuniões pedagógicas. A escola e as famílias precisam conversar sobre as emoções, dar mais valor a isso e para mim esse processo é de fundamental importância”, conclui Rosalu.

Depois de concluída a formação, a coordenadora, Cláudia Emília, ainda encantada, comentou sobre a efervescência causada no ambiente. “O novo olhar realmente impactou nossas professoras. Uma delas, Érica Ueda, me contou no dia seguinte à Formação Inicial que não conseguiu dormir porque queria conversar com o marido sobre a perspectiva de uma nova atitude, de um novo olhar sobre os conflitos, as decisões e sobre o entendimento de como as emoções se manifestam e qual a melhor maneira de lidar com elas”, relatou Cláudia.

Fonte: Estadão Educação